NOSSA VIDA

Pitadas da minha infância e a tentativa de segunda gestação

Sempre adorei crianças. Era daquelas que os olhos brilhavam quando via uma criança ao seu lado, atraindo a atenção dos pequenos sem grandes esforços. Porém, por desvios da vida, a maternidade somente acontece aos 36 anos, com a vinda da minha primeira filha, Heloisa.

Ela me encantou tanto com seu rosto perfeito de boneca e fala precoce e inteligente que, apenas dois anos depois, senti que seria o momento de ter um outro filho para fazer companhia a Heloisa. Além disso, tinha pavor de ter o mesmo destino da minha avó paterna. Ela teve apenas um filho (meu pai), que lhe deu três netos. No entanto, meu pai faleceu quando eu tinha 9 anos. Meus irmãos, 5 (cinco) e 2 (dois) anos. Meu avô morreu seis meses depois do meu pai, deixando minha avó sozinha no interior de São Paulo (tinha pouco tempo que haviam se mudado da Capital).

Meu pai era autônomo e portador de uma doença crônica. Lembro bem dele na sala, caído e enrolando a língua antes de ir para o hospital, onde ficou internado por uns 20 dias antes da sua morte, aos 37 anos de idade. Ele sempre foi uma pessoa boa comigo. Eu o adorava, senti a sua falta. Nem percebia nada na infância sobre sua doença. Minha mãe foi muito batalhadora, desdobrou-se no papel de mãe e trabalhadora, sem contar com a ajuda de muita gente. Fez até faculdade de pedagogia depois do falecimento do meu pai, pois ele nada nos deixou.

Voltando à minha avó paterna, ela muito criticou a minha mãe, que fazia faculdade na época do casamento com meu pai. Dizia que era coisa de mulher da vida.  Mas foi esta mesma mulher, mesmo após ter se casado novamente, a única pessoa com quem ela podia contar até seu último dia de vida. Por insistência, minha avó permaneceu morando no interior por muito tempo, sem muito contato com os netos. Quando já estava não tinha mais como se cuidar sozinha, minha mãe a trouxe para São Paulo. Ela faleceu na casa da minha mãe, em 2012. Sequer conheceu a bisneta, que nasceu em agosto do mesmo ano.

Então, a história dela (e minha) ficou marcada na minha mente, como algo que eu não gostaria de repetir. Por conseguinte, procurei a mesma médica que fez o tratamento anterior e o parto da Heloisa para a segunda tentativa de gravidez.

O diagnóstico de infertilidade não tinha sido alterado, dependendo de uma nova fertilização in vitro, na modalidade ICSI. Isso foi em julho de 2014. Heloisa completaria 2 anos em agosto.

Começou a nova saga hormonal, com muita injeção na barriga e expectativas. Obtive três embriões do tipo A. Fiquei muito esperançosa. Tinha certeza da gravidez. Chegou, enfim, o dia do beta, doze intermináveis dias após a transferência. Resultado: negativo. Fiquei arrasada.

 

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5 comentários em “Pitadas da minha infância e a tentativa de segunda gestação

  1. Adorei conhecer o Blog. Parabéns pelo Blog e pela família linda que você tem e obrigada por compartilhar informações relevantes conosco.
    Sou tentante a 2 anos e já passei por uma FIV frustrada mas estou confiante que um dia chegará minha vez de ser mãe.

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