MINHAS DICAS

CALMANTE DE MÃE: “BALA” DE MELATONINA. SERÁ QUE PODE?

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Por Ana Schoriza *

No dia 7 de junho de 2016, saiu no jornal folha de São Paulo, na coluna da iluminada jornalista Rosely Sayão, um artigo denominado por ela de “Calmante de mãe”, que trata das dificuldades do exercício da pediatria, em razão da ansiedade das mães em eliminar rapidamente todo e qualquer sofrimento da criança acionando o pediatra a todo o momento para resolver problemas que advém muitas vezes de mera imaturidade fisiológica do bebê. Tudo isso em razão do fenômeno da “medicalização da vida”.
Em seguida, observo que a revista crescer deste mês (junho de 2016) trouxe na capa uma discussão sobre a existência de “balas” de melatonina para a criança dormir (hormônio do sono, que são encontrados nos Estados Unidos em forma de balas, em loja de conveniências ou supermercado sem necessidade de receita médica para a aquisição), destacando a reportagem os riscos de uso sem prescrição médica. Até porque não se trata de bala, mas de medicamento.

Vejamos que a reportagem da revista crescer veio reforçar o que bem observa a mencionada jornalista, as mães movidas pela ansiedade procuram muitas vezes buscar nos medicamentos soluções imediatas e mágicas para problemas que serão resolvidos com a maturidade fisiológica da criança e/ou com meras mudanças comportamentais, como é caso do sono infantil.
Quando o bebê nasce, o ciclo circadiano (relógio biológico) não está regulado, devido ao desenvolvimento neurológico imaturo ainda e até o digestivo (não é possível armazenar tanta energia em um estômago tão pequenino). Então, não é factível desejar que uma criança de 20 (vinte) dias durma a noite toda. Porém, de outro lado, é possível trabalhar no recém-nascido a noção de claro e escuro, usar o casulo e chiados, apoios que vão contribuir para o sono melhor, dentro do esperado para a faixa etária da criança.

No caso dos mais velhos, a reeducação do sono traz enormes benefícios, eliminando ou amenizando os problemas de sono, sem ter que medicar. Ouço demais a seguinte frase: este menino não dorme. Brincou e pulou até agora, e não se cansa. Se a adrenalina está alta, não vai se acalmar de um minuto para o outro. O adulto não consegue, por que a criança conseguiria? É preciso revisar a rotina diária, introduzir um ritual de sono, apagar as luzes (sem tv ou eletrônicos), fazer atividades tranquilas, e ter consistência e persistência. Isso é besteira? Não, não é. Um exemplo é que o hormônio do sono, a melatonina, é acionado pela escuridão. Tem seu pico às 21 horas, depois começa a decrescer, dificultando a entrada para o sono ou a sua manutenção.

E quando o caos já se instalou, o que fazer? Dar uma pílula de hormônio para uma criança sadia calar a boca de imediato, sabendo que vai precisar de novo no dia seguinte? (sei que a vontade, ás vezes, é essa mesmo). Ou procurar ajuda profissional para mudança de hábito, com apoio na execução do plano, com efeitos para vida toda? (sei que dá uma preguiça de mudar). Eu sou mãe de trigêmeos de um ano e uma mais “velha” de três anos. Assim, não sou insensível ao cotidiano duro das mães donas de casa ou daquelas que trabalham fora. Mas uma coisa eu garanto, a mudança de hábitos vale a pena. Meus trigêmeos dormem às 19:30 e acordam só às 7h do outro dia. Arregalou os olhos ou soltou um “hahaha” agora? Achou impossível? Não, veio de trabalho duro, mas compensador. Estou fora da medicalização desnecessária da vida.

E você? Vai medicar ou educar? Que tal tentarmos a segunda opção juntas?

*É consultora do sono materno-infantil, doula, terapeuta reiki e mãe de trigêmeos mais uma.

https://mamaedosonhos.com

email: anaschoriza@gmail.com

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